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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Passivos armados

Brigas efêmeras e que assim sejam, quando existentes. As relações podem ser tensas, mas a tendência é a busca pelo equilíbrio.

Quando natureza e cultura, existência e aceitação andam juntas, a equidade se confirma.

A paz pode gritar em guerra, e até existir quando a guerra perder a força e o grito assustar o que não teme, o que não treme, o que não temia. Difícil é o grito perpetuar, não findar com as barreiras dos que defendem, dos que de tanto defender tornam-se agressivos, passivos e armados.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cara e Coroa

A mãe contemplava o bebê desde o primeiro choro, o pai muito feliz com o nascimento, mas com a cabeça também no trabalho que já o esperava. Carlinhos, brasileiro, nasceu na Disney. Seu berço era moderno, rodeado de brinquedos, roupinhas caras, tenizinho-preço-de-salário. Não sabia o que era um carro, mas já tinha a coleção completa, mal mexia as pernas e o lindo velotrol já aguardava a primeira volta. O telefone não parava de tocar, visitas, parlapatórios e badalações ao menino tão esperado. Até os que ainda não viram já o achavam lindo. Era o Carlinhos, e ele nasceu. Ele cresceu, entrou na melhor escola da capital, ia com seu motorista enquanto os outros eram levados pelos pais ou escolares. Fazia academia, natação, jogava paintball, gostava de rapel e estudava três línguas. Vivia rodeado de amigos. Até a mãe quando na escola para as reuniões era muito notória por ser a mãe de Carlinhos. Todos invejavam o menino, queriam ter as mesmas coisas que ele. A casa. O quarto. O vídeo-game. Carlinhos chegou aos dezoito e da prateleira para a garagem viu seu primeiro carro, e era de verdade. Frequentava os lugares mais chiques; ia com seu carro-do-ano, voltava com a gata-da-festa. Mas o que ninguém sabia era que a inveja maior não era dos amigos por Carlinhos, mas o contrário. Ele tinha tudo, menos o carinho do pai, que vivia no trabalho, em reuniões, festas, jantares de negócios e viagens. Tudo menos tempo para o filho, pobrezinho. Um grande tormento para alguém que do muito que tinha faltava algo essencial. O pai, que achava que substituiria sua ausência com presentes e mais presentes, fracassou. Ele conhecia o menino, mas não percebeu que o garoto cresceu, que a velha Disney já não importava mais, que o berço ficou pequeno para o enorme fastio que o atormentava. Sentimento que para Carlinhos deixou de ser perpassável. Esse era Carlinhos, que só queria um pouco de carinho.